Recordes e Dinheiro no Bolso.

By Rodrigo Ferreira
Agência AP

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E a Russa Yelena Isinbayeva bateu pela 23º vez o recorde mundial no salto com vara. Desta vez, novamente, por 1 centímetro. Com a quebra, Isinbayeva se encaminha para igualar o seu ídolo, o ucraniano Serguei Bubka, que bateu o recorde da prova 35 vezes.

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Esta notícia me lembrou uma história que um ídolo do atletismo nacional me contou durante minha caminhada pelo Brasil.

Estes recordes são batidos tantas vezes por uma questão de marketing. Ou seja, financeira.

O atletismo tem alguns tipos de competição. As que dão fama, bons patrocínios e reconhecimento – Mundial e Olimpíadas. Existe também as que dão dinheiro, além de contar pra rankings.

Todos os atletas desejam e buscam participar de Olimpíadas e Mundiais.

Os outros, para contar com os grandes nomes, dependem da premiação. De acordo com a sua posição no ranking, o atleta ganha para participar da competição. Quanto mais atletas top participam, mais outros atletas de todos os níveis também buscam entrar na competição. É assim que cresce a qualidade de um evento.

O atual campeão do mundo, atual campeão olímpico, detentor do recorde mundial ou líder do ranking são alguns dos que ganham um “extra” para entrar em determinados eventos. Isinbayeva é um claro exemplo de atleta que eleva o nível de uma competição, atraindo patrocinadores, cobertura da mídia, além de outros grandes atletas.

Além da grana para entrar num torneio, os atletas correm atrás dos altos prêmios para quem vence (ou chega entre os primeiros). E tem mais: quebras de recorde, principalmente mundiais, garantem um bônus dos bons.

Tudo é mídia. Atleta campeã, líder e medalhista olímpica participando, ganhando e quebrando recorde é retorno de mídia garantida. Simples assim.

E o que a russa tem com isso?

Num esporte que o ambiente de treino não difere muito das competições, é óbvio que a russa salta, em treino, muito mais do que em competição. Com esta sobra (fruto de seu talento, perseverança e dedicação), ela administra o seu próprio recorde. E ganha dinheiro.

Digamos que ela salte em um treino 5,10 metros e o recorde mundial atual seja, e é, 5,04.

Isinbayeva entra numa competição e ganha $$ por ser a atual recordista. Ganha a competição, ganha mais $$$. De quebra, bate o recorde mundial, saltando a altura que ela escolheu e que nenhuma adversária consegue saltar igual. Quanto? 5,05m. Pronto, garantiu a grana $$$$ por bater o recorde e vai para casa descansar. Até a próxima competição e até o próximo recorde.

O atleta do salto com vara sabe seu limite e pode trabalhar dentro disso. Nada mais natural que ganhe sua grana. Azar dos adversários.

Sim, a russa é imbatível e em nada essa notícia diminui o seu valor. Assim como Bubka vai ficar pra sempre nos livros de história do esporte.

Ah, você pode perguntar: e por que os recordes nem sempre são batidos em olimpíadas?

Bom, aí pergunte para o psicólogo do atleta. Nessa “pequena” competição, entra um fator chamado pressão, que faz toda a diferença.

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