Na Geral – Entrevista com Fernando Meligeni

By Rodrigo Ferreira

Não sou dos que têm qualquer ódio por argentinos. No entanto, sou a favor da rivalidade nas quadras, campos e discursos esportivos por aí. Não nego que é raríssimo encontrar motivos para torcer pelos “hermanos”.

Hoje, Na Geral, o argentino que me fez mais vezes parar na frente da Tv e torcer como um louco. O cara que é a combinação perfeita dos dois países, o argentino mais brasileiro que tenho notícia: Fernando Meligeni.

Em tempos em que Guga conquistava o mundo, para todos que acompanhavam tênis comigo, o Fininho conquistava corações e olhos atentos.

Tudo por causa de uma imensa vontade de ganhar, de fazer o máximo e, principalmente, de defender as cores do país que ele escolheu defender: o Brasil.

Agora, tive a oportunidade de ter um pouco mais de contato com um cara que é um ídolo. Daqueles caras que te ensinam a encarar os mais diferentes desafios e rir na cara do perigo.

Todo esse bom humor e simpatia se estende à toda a sua vida. A prova disso foi a divertida e direta entrevista que se segue. Valeu Fininho!

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Geraldinos: Fernando meligeni é hoje um ex-tenista ou um blogueiro?
Fernando Meligeni: Acho que os dois, sempre serei tenista e cada dia me sinto mais blogueiro.

G: Qual o momento mais marcante da sua carreira?
FM: Com certeza o Pan e o meu casamento no ano passado.

G: E o pior momento?
FM: Nossa, acho que cada vez que andamos em direção ao vestiário depois de uma derrota. Por sorte não tive muitos momentos para esquecer fora da quadra.

G: Certa vez, numa entrevista para Os Geraldinos, o Robert Scheidt disse que o melhor momento dele como torcedor tinha sido na sua final do Pan de Santo Domingo, contra o Marcelo Rios. Ele alguma vez já te falou isso? Como é ter um dos maiores ídolos do nosso esporte como um fã seu?
FM: Ele, além de ser um grande amigo, é um grande torcedor. Um exemplo de pessoa. Ele no Pan me deu muita força e me fez acreditar que podia vencer. Sou muto grato e tenho muito prazer de ter um amigo e torcedor como ele

G: Você é conhecido pelo seu bom humor em quadra. Até que ponto isso tira o foco de uma partida?
FM: Pouco, acho que tira mais do adversário. Serve para desfocar a galera.

G: Qual a graça do tênis para você?
FM: Nossa, acho que não tem vida sem tênis, sem ver o cara do outro lado puto, suado e com cara de medo. Isso é vida para mim.

G: Quem o maior jogador que você já viu jogar?
FM: Sampras

G: Quem é o melhor contra quem você jogou?
FM: Sampras

G: Todas as pessoas que não vivem o tênis brincam dizendo que “ah, como eu gostaria de ganhar um monte de dinheiro para viajar o mundo”. Que vantagens a vida de tenista traz? E que desvantagens?
FM: Eles provavelmente não comeram a comida da Eslováquia ou dormiram em Bratislava ou Prostejov. Tambem não jogaram tênis no Uzbequistão. O lado bom todo mundo quer.

G: Você se considera ainda argentino?
FM: Nunca vou deixar o lado argentino na minha vida, acho uma bobeira essa briguinha entre Argentina e Brasil. Eu amo o Brasil e aqui vou ficar pro resto da minha vida, mas tenho familia e carinho por lá também.

G: Sofreu algum tipo de desconfiança por não ser brasileiro de nascença?
FM: Principalmente no começo quando perdia. Adoravam me chamar de argentino.

G: Você se tornou depois do fim da carreira em um blogueiro. Como você encarou esta mudança?
FM: Eu adoro contar para as pessoas o que é o mundo do tênis. Achei uma maneira engraçada e descontraída de fazer isso. Depois, veio a vontade de escrever um livro sobre o mesmo assunto.

G: Você se sente mais perto do seus fãs? Qual a diferença de relacionamento agora para o que era antes?
FM: Acho que eles me conhecem ainda mais agora. Sabem o que fiz, o que penso, tudo contado por mim e não por outras pessoas. Além disso sabem o que eu acho do nosso esporte.

G: Quem acompanha seu blog, percebe que você adora inovar, tenta sempre encontrar novas formas de divertir/entreter os seus leitores. Você é um apaixonado por tecnologia?

FM: Não, entendo bem pouco. Eu faço inventando. Tentando coisas novas. Apanho muito desse objeto que estou escrevendo. Como tudo na vida aprendo fazendo. Foi assim com as línguas e agora com tecnologia.

G: O que é mais difícil, ganhar uma partida de tênis contra um adversário mais bem ranqueado ou manter a atenção do público no blog?
FM: O blog, o adversário é menos exigente. Eheeheh. Eu adoro ser colocado à prova. Mais ainda que eu fugi da escola e de vez em quando dou umas escorregadas nos textos. Mesmo assim vou com tudo sem medo de errar.

G: O que você imagina do seu futuro?
FM: Feliz, com muitos filhos, curtindo minha esposa e escrevendo um monte de besteira no blog do ex fininho e agora meio fora de peso.

G: Como fazer o tênis ser um esporte mais popular? Isso é possível?

FM: Difícil, tentamos todos os dias. Mas está difícil. Não apenas os jogadores têm que querer.

G: Há como melhorar o esporte no Brasil?
FM: Sim, com certeza, nossos dirigentes têm que querer ser um país de ponta. Sem ajuda somos, com ajuda colocamos Cuba, Rússia e até China no bolso. Nossos atletas são muito bons, com nada de ajuda temos muitosssss campeões mundiais.

G: Você já foi capitão do time na Copa Davis. Como foi esta experiência?
FM: Nossa, difícil, eu não nasci para ser político e fazer política, tentei levar o lado técnico até onde eu pude, quando percebi que não era apenas ser técnico e tinha que fazer algumas coisas que não acreditava preferi sair. Foi uma linda experiência.

G: Voltaria a ser técnico? Com o atual comando da CBT?
FM: Não, nada contra a CBT, apenas neste momento não é minha prioridade, teriam que mudar muitas coisas. Pensar diferente a respeito de como encarar a Davis, os métodos e a importância.

G: Qual a diferença de jogar uma Davis para um campeonato individual?

FM: Muita, na Davis você é o país, não tem apenas teu nome, tem muita pressão, tem jogador que nasceu para ser jogador de Davis. Outros se escondem. O papel do técnico é tentar fazer esse cara jogar ou convocar outro.

G: Você se considera bem sucedido?
FM: Sou feliz, realizado e tenho o que sempre sonhei. Se isso é ser bem sucedido, eu sou.

G: Gostaria de ter conquistado algo mais? O quê?
FM: Filhos. Tô trabalhando para isso. Ehehe

G: Você poderia se definir (pessoal e profissionalmente) em apenas uma frase?
FM: O Fino vai até o fim e luta pelo que sonha.

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3 Respostas para “Na Geral – Entrevista com Fernando Meligeni”

  1. Rafael dos Anjos Fontenelle Duarte Disse:

    Show!!!
    Sempre fui fã desse cara!!!

  2. luizpintoferreira Disse:

    Que grata felicidade ler essa entrevista.
    O Fininho é um baita exemplo de amor ao esporte, a nação, sempre com muita alegria e raça.
    O cara transpirava determinação nas quadras. Sou fã.

    Valeu ao blog pela entrevista e ao Meligeni pela simpatia que tb é.

    Abraços

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